Resenha: Deathgeist - Procession Of Souls

Esse é o terceiro álbum, com excelentes inovações na sonoridade em relação aos lançamentos anteriores

Resenha: Deathgeist - Procession Of Souls

Essa grande banda paulista de Heavy/Thrash Metal está entre nós desde janeiro de 2017, graças a parceria entre Adriano Perfetto e Victor Regep, oriundos do Bywar e, agregando muita experiência e qualidade, estão presentes também Maurício (Cliff) Bertoni (ex – Voiden e Mystic) e Fernando Oster (Woslom), que assumiu as baquetas após a saída de Goro, em 2019.

Hoje falaremos aqui de Procession Of Souls, lançado em Janeiro de 2022 (Mais um grande atraso provocado pela pandemia). 

O debut autointitulado (Deathgeist) chegou ainda em 2017 e em 2019 foi lançado 666, que foram muito bem recebidos pelo público e também pela crítica nacional e internacional. 666 foi festejado como um dos melhores lançamentos no ano do lançamento!

Com muita maturidade desde o primeiro álbum, o Deathgeist pode reclamar sim um lugar entre os grandes, pois sobra entrosamento, qualidade e disposição para extravasar uma sonoridade que não se restringe ao Trash Metal, com excelentes passagens pelo bom e velho Heavy Metal. 

Dentro dessa perspectiva, o vocalista e guitarrista Adriano Perfetto declarou recentemente sobre esse novo entendimento do que deve se esperar da sonoridade da banda daqui pra frente:

“Desconstruir a ideia de que somos apenas uma banda de thrash metal foi o objetivo desse novo álbum. Preferimos nos ver mais como uma banda de heavy metal, sem regras ou formas de composição. Absorvemos muitas influências que fazem parte de nossa formação como músicos, desde o rock progressivo até o death e black metal. Daqui pra frente não teremos mais limites para criar, por mais estranho que algo possa soar em nosso som. Queremos fazer apenas o que realmente curtimos sem se preocupar se estaremos agradando ou não. Os fãs e o público em geral vão perceber elementos que não existiam nos álbuns anteriores como teclados, sintetizadores e violões. A ideia é realmente quebrar barreiras e tentar inovar num estilo que está bem datado. Queremos dar esse próximo passo.”

E o Adriano acabou dando muito spoiler do que estava por vir! Procession Of Souls traz exatamente esse mix, com os elementos e influências citados espalhados por todo o álbum, por vezes sutilmente e em outras ocasiões bem demarcados.

Sinto que seja proposital a maneira crua (qualidade impecável) e direta como foram feitas a gravação e a mixagem. Não existem bandas que não possuam influências, e acredito que essa sonoridade atingida pela banda passa pelos gloriosos anos 80, especialmente do que foi feito pelos alemães e americanos nessa década. Entendam: são referências, jamais cópia. E as melhores possíveis, tipo Megadeth, Destruction, Testament, Kreator e Slayer. A originalidade surge do entrosamento já citado para nos brindar com músicas como Living Dead Melody, faixa que esbanja Riff’s, solidez rítmica e a ausência de regras, como diz Adriano em sua entrevista.

Destaco também The Greed's Inferno, com grandiosa abertura dedilhada anunciando a chegada dos pulsantes e poderosos riff’s, Fear, escancarando a veia Heavy Metal da banda (até o solo pelo menos!), Nightmare’s Chamber, essa mais do que qualquer outra nos transportando para os anos 80!

Para os que acompanham minhas resenhas, sabem que sou muito fã de Thrash Metal e na minha audição do disco todas as passagens que remetem ao estilo garanto que não há decepções. Recomendadíssimo, não só por esse fator, vale cada segundo do seu tempo ouvir Procession Of Souls de cabo a rabo!

TRACK LIST:

1. The Greed’s Inferno
2. Morlocks
3. Living Dead Melody
4. Procession of Souls
5. Nightmare’s Chamber
6. Far from Reality
7. Depressive Thoughts
8. Fear

Por: Paulo Souza