The Dust Coda: Mojo Skyline

Segundo álbum da banda Inglesa mostra que o rock tem inspiração e renovação

The Dust Coda: Mojo Skyline

Não sei você, meu amigo louco por rock, mas tem umas sonzeiras que tenho um tesão enorme em ouvir dirigindo. E tenho a sensação que os camaradas que fizeram o som pensaram nisso. Mas o The Dust Coda tem um detalhe: os caras montaram aquela banda que traz uma reflexão. Algumas pessoas tendem a perguntar qual é a sua música ou banda favorita, e surgem respostas tipo "Meu, eu não sei, eu gosto um pouco de tudo". Também são as mesmas pessoas que em geral, dizem coisas como "por que você não ouve umas bandas que te indicam?" E é nessa hora que que surge o The Dust Coda.

A banda foi formada 2013 pelo vocalista e guitarrista australiano John Drake, pelo guitarrista Adam Mackie, o baterista Scott Miller e o baixista Tony Ho (que sucedeu Ollie Keeler em 2016).

Como estou falando de uma banda recente, sendo o debut um EP lançado em 2016, The More It Fade e em 2017 lançam o full The Dust Coda, traz muita alegria o lançamento de Mojo Skyline agora em 2021 e, mesmo gostando bastante dos anteriores, esse está em outro nível.

E isso fica claro de cara, no momento em que John Drake ruge a frase de abertura: "Sim, eu tenho um demônio, um demônio no meu coração" e vem o riff. E com o riff a certeza que não vai ficar só nessa primeira ótima impressão.

Breakdown tem uma vibe funk também, mas não norteia a faixa: é um hard rock anestésico, com um ótimo refrão.

Limbo Man é agradavelmente pesada. Toques de AC DC aqui e ali, mas nada de cópia. Não podemos ser chatos ao ponto de não aceitar que boas influências não sejam necessárias. 

Dream Alight é onde vemos a ruptura com o passado e um cartão de visitas sobre o que é possível para a banda daqui para frente. Há uma profunda ressonância emocional nos vocais e no humor na letra da música. Ela é a música que distingue o The Dust Coda, sendo ótima para a excução em rádios e até mesmo trilhas sonoras de filmes ou TV. 

A próxima é Jimmy 2 Times e nos remete a festa ou um show de rock. Falando em referências novamente, há um aceno ao Aerosmith tanto no ritmo e a dicção adota nos vocais dão a música essa indicação. Nas faixas 4 e 5 percebemos que são elas que elevam o nível do álbum, o verdadeiro espírito do rock'n'roll.

Vamos ao pacote de Sweet Love, Will I Ever See You Again e R, olling. Temos aqui o palco central, uma vitrine de um talento vocal emotivo: No rock, há aqueles que são elogiados tecnicamente, mas John Drake vai além disso porque as performances vocais têm sua própria paleta emocional. Variando entre uma ótima dicção e muito de blues, a performance vocal assume seu próprio tipo de linguagem musical. Parece que você consegue entender mesmo sem falar inglês.

Chega de puxar o saco do vocalista. O solo de guitarra em Rolling coloca Adam Mackie no topo, entregando uma peça que encanta os guitarristas (e os que não são, o que é o meu caso).

Eles acertaram em cheio ao trabalhar com o renomado produtor Clint Murphy (Thunder, Manics). Em Bourbon Pouring e I've Been Waiting a produção fala alto; basta ouvir como I've Been Waiting é mais escura, mais pesada, o groove mais etridente.

They Don't Know Rock N Roll, Best Believe it e It’s A Jam fecham essa preciosidade em alto nível, mostrando uma banda coesa e, voltando lá pro comecinho da resenha, a sensação de alegria por ter ouvido um discasso rodando na sua caranga, com o volume nas alturas e sem arrependimentos.

Banda:

John Drake – lead vocals & guitar

Adam Mackie – lead guitar

Scott Miller – drums

Tony Ho – bass.

 

Track list:

1. Demon
2. Breakdown
3. Limbo Man
4. Dream Alight
5. Jimmy 2 Times
6. Rolling
7. Bourbon Pouring
8. I’ve Been Waiting
9. She’s Gone
10. They Don’t Know Rock ’n’ Roll
11. Best Believe it
12. It’s a Jam

Por: Paulo Souza