Yngwie J. Malmsteen: Trilogy

Álbum foi lançado em 4 de novembro de 1986

Yngwie J. Malmsteen: Trilogy

Enquanto pensava qual seria a próxima resenha, uma introdução apareceu como um "pop up" na minha cabeça, de um álbum que há muito tempo não ouvia. E, como já trilho esse caminho do Rock há pelo menos 40 anos, nada mais comum do que surgir uma música de um disco que irá completar em breve 35 anos.

Ainda não desfrutava das benesses tecnológicas dos nossos dias. Contava com a boa vontade dos amigos lojistas para poder confirmar se o que estava escrito na publicação de Rock (que também eram escassas) realmente agradariam meus ouvidos ávidos por boa música, mas ainda sem os devidos critérios que tenho hoje.

Confesso que não conhecia o Alcatrazz, e muito menos o Steeler, bandas em que Malmsteen havia tocado antes de seu ego, quero dizer, seu talento levá-lo à carreria solo. Já conhecia o Marching Out (segundo álbum) e Rising Force, o primeiro, lançado em 1984 e até hoje fecho os olhos quando estou ouvindo Black Star.

Mas vamos ao que interessa: Trilogy. 

Já nos primeiros acordes de You Don't Remember, I'll Never Forget tirei a carteira do bolso para ver se seria possível levar o disco naquele dia ou se teria que voltar no próximo sábado para comprá-lo. Eu tinha o dinheiro.

Com o coração mais tranquilo, continuei a ouvi-lo. Os vocais do cantor Mark Boals são poderosos e executados com precisão. Soube depois que este é o primeiro álbum de Boals e o fato de que sete das nove faixas apresentam vocais mostram que não foi só eu que gostei dele, o dono de um dos maiores egos do planeta também. Jeff Scott Soto ainda é um dos meus vocalistas favoritos, mas não conseguiu agradar tanto ao patrão ao ponto de ambos os álbuns anteriores terem mais faixas instrumentais.

Liar não decepciona. Segue a mesma fórmula com um grande refrão cativante com excelente musicalidade. Por trás dessas faixas está a reprodução do teclado de Jens Johansson, que é parte integrante do som de Malmsteen. O baterista Anders Johansson lidera a batida com um trabalho de pé muito rápido no contrabaixo.

Queen In Love traz uma pegada muito medieval, que se encaixa muito bem considerando que a capa do álbum apresenta Malmsteen defendendo um dragão de três cabeças com sua guitarra. A guitarra rítmica impulsiona a introdução. Gosto também de suas partes melódicas do solo.

Crying é o primeira faixa instrumental. Tal qual Black Star existe uma pegada acústica clássica de Malmsteen na primeira parte desta música. O baixo, que também é feito pelo guitarrista, é mais predominante do que nas faixas anteriores.

As próximas faixas Fury, Fire e Magic Mirror estão todas na mesma vibe. Essas músicas seguem o formato e a direção de Trilogy. Fury e Fire podem muito bem ser as faixas mais soft do álbum, porém não desagradam.

Dark Ages é outra faixa medieval que vai de encontro a temática da capa do álbum. Há definitivamente um tema sendo interpretado ao longo do álbum. Dark Ages chega um pouco mais lenta, mas não em um sentido de balada. É uma faixa de groove mística lenta onde o teclado está acertando o passo com a bateria.

E o álbum fecha com a segunda e última faixa instrumental Trilogy Suite Op. 5 onde Malmsteen mostra seu amor pela música clássica, sendo impossível não lembrar de Bach ou Beethoven, para aqueles que curtem. E ainda nesta faixa vemos sua capacidade de mudar de ritmo, indo suave e doce, e na sequência, fazendo um som pesado e duro.

Para fechar, serei muito sincero. Não é sempre que ouço Malmsteen. Mas sou babão por Black Star, Soldier Without Fate (essa do Marching Out) e You Don't Remember, I'll Never Forget, cujo riff aparece com bastante frequência na minha cabeça. Tem mais coisa aí pra frente disso: Vengeance, Fire and Ice e é inegável que ele manda muito bem em covers, como exemplo Dream On, acompanhado de Dio na execução da música do Aerosmith.

Se você for como eu, que não se importa em qual é a cor dos olhos, em qual continente nasceu e liga única e basicamente para o que os seus ouvidos perceberam, Trilogy é um tremendo disco para se ouvir. 

Lista de faixas:

01. You Don’t Remember, I’ll Never Forget
02. Liar
03. Queen In Love
04. Crying
05. Fury
06. Fire
07. Magic Mirror
08. Dark Ages
09. Trilogy Suite Op: 5

Membros da Banda:

Yngwie J. Malmsteen – guitarra, Moog Taurus, baixo
Mark Boals                 – vocal
Jens Johansson         – teclado Anders Johansson – bateria

Por: Paulo Souza